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ABEG Explica: O que é estaca hélice contínua Destaque

Out 09 2026

A ABEG inicia uma série de matérias explicativas sobre soluções e conceitos da engenharia geotécnica. O objetivo é apresentar, em linguagem acessível, técnicas que fazem parte do dia a dia das obras e mostrar o papel do projeto em cada uma delas.

A primeira matéria trata da estaca hélice contínua.


Perfuratriz com trado helicoidal contínuo, equipamento usado na execução de estacas hélice contínua. Crédito: iStock

 

A estaca hélice contínua é uma estaca de concreto moldada no próprio terreno, escavada por um trado em forma de hélice e concretada à medida que o trado é retirado. É hoje uma das soluções de fundação profunda mais usadas em edifícios nas cidades brasileiras.

O motivo é uma combinação rara: executa muitos metros por dia, gera pouca vibração nas construções vizinhas e funciona abaixo do lençol freático. Chegou ao Brasil no fim dos anos 1980 e se difundiu nas décadas seguintes.

Apesar do nome parecido, ela não deve ser confundida com a estaca helicoidal, que é metálica e fica no solo depois de instalada. Na hélice contínua, o aço da hélice faz parte apenas do equipamento de perfuração.

Como funciona

A execução acontece em três etapas, sem interrupção entre elas.

  1. Perfuração. Uma máquina gira um trado helicoidal contínuo, com um tubo central oco, e o introduz no solo até a profundidade definida em projeto. O solo fica preso nas pás da hélice, que sustentam as paredes do furo.
  2. Concretagem. O concreto é bombeado pelo tubo central e sai pela ponta do trado. Ao mesmo tempo, o trado é retirado do terreno, levando o solo para fora. A pressão do concreto ocupa o espaço deixado pelo trado e mantém o furo estável.
  3. Armadura. Com o concreto ainda fresco, a armadura de aço é introduzida na estaca.

Como o furo nunca fica aberto e vazio, a estaca dispensa revestimento metálico e lama bentonítica, recursos usados em outros tipos de estaca escavada para conter as paredes.

Por que "monitorada"

O nome completo da técnica é estaca hélice contínua monitorada. Durante a execução, sensores ligados a um computador na máquina registram dados como a profundidade, o torque, a velocidade de rotação e de avanço do trado, a pressão do concreto e o volume bombeado.

Cada estaca gera um relatório próprio. Esses registros não substituem a avaliação técnica: são informações que os engenheiros interpretam para acompanhar a execução e identificar eventuais anomalias.

Vantagens

  • Baixa vibração e pouco ruído. Como não depende de golpes, a hélice contínua não gera as vibrações típicas das estacas cravadas, o que reduz o risco de danos a prédios vizinhos e o incômodo à população.
  • Alta produtividade. Uma única máquina executa várias estacas por dia, o que encurta o cronograma da fundação.
  • Funciona abaixo do lençol freático. A pressão do concreto impede que a água e o solo invadam o furo.
  • Execução registrada. O monitoramento eletrônico deixa um histórico de cada estaca, útil para a fiscalização e para eventuais análises futuras.

Limitações

  • Rocha e matacões. A presença de rocha ou de blocos de rocha (matacões) no subsolo pode impedir que o trado chegue à profundidade prevista.
  • Exige concreto usinado. O concreto é bombeado pelo tubo central do trado, e o fornecimento precisa ser bem programado.
  • Máquina de grande porte. O equipamento precisa de terreno plano, firme e com espaço para se movimentar, o que pesa em terrenos pequenos ou de acesso difícil.
  • Custo de mobilização. Levar e montar o equipamento na obra tem custo relevante, que costuma se justificar a partir de um número mínimo de estacas.
  • Armadura colocada depois. Como o aço entra com o concreto já lançado, armaduras longas exigem cuidados adicionais na execução.

O papel do projetista geotécnico

A escolha da hélice contínua começa antes da máquina chegar à obra. É o projetista geotécnico quem interpreta as sondagens, verifica se o subsolo comporta a técnica e define diâmetro, comprimento e capacidade de carga de cada estaca, seguindo a norma de fundações, a ABNT NBR 6122.

Durante a obra, o projetista analisa os relatórios de monitoramento e os ensaios de carga para confirmar que as estacas se comportam como previsto. Quando algo foge do esperado, cabe a ele ajustar a solução.

Um exemplo recente: um dos projetos vencedores do Prêmio ABEG Sigmundo Golombek 2025, da EMBRE Engenharia, em Brasília, usou 550 estacas hélice contínua. As profundidades foram definidas com modelos 3D do subsolo e controladas durante a execução pela energia de perfuração de cada estaca. Leia a matéria.

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