A ZF & Engenheiros Associados é uma das vencedoras do Prêmio ABEG Sigmundo Golombek 2025 com o projeto de reforço de fundações para o retrofit do Hotel Marina Palace, na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, Rio de Janeiro. Assista à apresentação de Frederico Falconi:
Fundada em 1982, a ZF atua em projetos de fundações e contenções e conta com 22 engenheiros, entre mestres, doutores e especialistas. O engenheiro Frederico Falconi, diretor da empresa, descreve a trajetória da ZF como marcada pela busca de soluções adaptadas a cada obra. "Cada obra representa um desafio", diz Falconi. "Temos que pensar em soluções diferentes para buscar segurança, desempenho e custo vantajoso para o cliente."
O desafio do Marina Palace
O Hotel Marina Palace foi construído na década de 1970 e ficou sem uso por um longo período antes de um processo de retrofit ser iniciado. O edifício, com 26 pavimentos e dois subsolos, apresentava deterioração estrutural significativa, e as intervenções previstas no retrofit exigiam um reforço de fundações que não comprometesse o edifício nem as construções vizinhas.
A solução desenvolvida pela ZF combinava tratamento do solo com um novo radier de fundação executado a partir do interior do prédio, sem necessidade de rebaixamento do lençol freático. Chegar a essa resposta, porém, exigiu contornar um problema geométrico considerável: cada intervenção precisava desviar da estrutura existente nos subsolos. "Foi um mês só fazendo zigue-zague para poder chegar", descreveu Falconi.
O projeto contou com a colaboração do engenheiro Augusto Pedreira de Freitas no projeto de recuperação estrutural e do engenheiro Ibsen Puleo como verificador independente, além do engenheiro Jefferson Azeredo e da empresa Carmona Engenharia.
Para Falconi, um dos desafios do projeto foi apresentar uma solução incomum a interlocutores que não eram especialistas em fundações. A tarefa foi facilitada pelo envolvimento prévio dos calculistas estruturais, que já haviam estudado o problema sem encontrar resposta, e reconheceram na proposta da ZF uma saída viável.
O Hotel Marina Palace ainda não está em operação. A fundação foi concluída em 2024 e o empreendimento foi adquirido por uma nova empresa. Falconi projeta um desfecho à altura do trabalho realizado: "Tenho certeza que esse será o melhor hotel do Rio".
A ABEG apoia a realização de uma palestra sobre ensaios e equipamentos para fundações profundas, promovida pelo curso de Fundações e Geotecnia da Universidade Mauá.
A apresentação acontece na sexta-feira, 22/05, às 19h, com o engenheiro Mohamad Hussein, diretor executivo de relações internacionais da PDI – Pile Dynamics Inc. (Cleveland, Ohio). Com mais de 30 anos de experiência na empresa e participação em mais de 1.000 projetos de fundações nos EUA e em 20 países, Mohamad Hussein é referência internacional no tema.
A mediação será feita pelo engenheiro Rafael Valverde, representante da PDI no Brasil.
A transmissão é ao vivo, com participação livre pelo link: https://teams.microsoft.com/meet/25148756331758?p=KXlhKfx6ugCjx3bWtO
A ABEG concedeu, em 2025, o Prêmio Sigmundo Golombeck a EMBRE Engenharia e a ZF & Engenheiros Associados em reconhecimento à excelência técnica de seus projetos. O diretor técnico da EMBRE, Carlos Medeiros, apresentou os detalhes do empreendimento em entrevista à ABEG. Assista ao vídeo abaixo.
O projeto refere-se a um complexo hoteleiro da Confederação Nacional do Comércio (CNC), em Brasília-DF. Para implantação do empreendimento foram realizadas escavações na icônica argila porosa colapsível, característica do solo superficial da cidade. A vizinhança imediata de dois hospitais com bunkers de ressonância magnética, equipamentos com tolerância quanto as distorções angulares de 1:1000, impôs restrições rigorosas a todo o processo executivo e motivou um extenso programa de monitoramento, com inclinômetros e geofones de baixa frequência instalados ao longo da obra.
Entre as soluções adotadas, destaca-se a contenção em dupla fileira de estacas, com a adoção de apenas uma linha de tirante, a solução convencional demandaria três ou quatro. A medida resultou em redução de custos e de aproximadamente seis meses no prazo de execução.
As 550 estacas hélices contínuas das fundações, implantadas em ardósia dobrada, tiveram suas cotas de assentamento definidas por meio de modelos 3D baseados em sondagens de campo e ensaios geofísicos. Cotas que foram controladas e verificadas durante a execução das estacas por energia de instalação, método que foi objeto da tese de doutorado de Medeiros. O método correlaciona a energia demandada na perfuração com a capacidade de carga de cada elemento de fundação.
O desempenho final confirmou a eficácia das soluções: recalques máximos de 15 mm e distorções angulares entre 1:800 e 1:1000. A obra também contou com a colaboração de professores e pesquisadores da Universidade de Brasília nas modelagens numéricas, nas inclinometrias e no monitoramento sísmico, parceria que Carlos Medeiros destacou como fundamental para a trajetória da empresa ao longo de seus 39 anos de atuação.