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A Evolução dos Sistemas da Qualidade na Engenharia Geotécnica |
Uma Questão de Concepção e Interpretação O objetivo deste texto é mostrar a importância da interação entre o engenheiro geotécnico e o engenheiro calculista de estruturas. Quanto mais cedo ocorrer, mais seguros e econômicos serão os resultados para o cliente. Os casos escolhidos e descritos neste artigo mostram de uma maneira conceitual alguns exemplos significativos. 1. Casos de fundação onde a interpretação do perfil do sub-solo leva o geotécnico a indicar ao calculista que concentrar cargas em menor número de pilares é mais eficiente do que distribuí-las. De modo geral o partido estrutural é condicionado por decisões arquitetônicas já tomadas. Entretanto, existem situações nas quais o calculista estrutural tem um certo grau de liberdade para decidir entre concentrar cargas ou distribuí-las.
2. Casos nos quais a estrutura é calculada como pórtico com seus apoios engastados Com o emprego da computação, através de computadores cada vez mais potentes e programas mais acessíveis e sofisticados para o dimensionamento das estruturas, está havendo uma tendência de se projetar com um grau de refinamento cada vez maior, o que acarreta estruturas mais econômicas, e, ao mesmo tempo, mais arrojadas, de tal forma a atender às exigências arquitetônicas. Por outro lado, nos parece que as melhorias das ferramentas de cálculo não foram devida e paulatinamente acompanhadas pelas hipóteses feitas para simular a interação solo-estrutura. Na verdade não faz sentido separar a super da infra-estrutura nos seus dimensionamentos. Onde a situação fica mais evidenciada é aquela do cálculo dos esforços nas fundação devido à ação de solicitações transversais (vento ou a empuxos desbalanceados) que podem levar a esforços e carregamentos distantes do real. De modo geral o modelo de cálculo empregado admite que os pilares estejam engastados nas fundações, o que implica no aparecimento de momentos elevadíssimos e irreais. A consideração da flexibilidade das fundações pode alterar completamente o panorama simplista de engaste, principalmente quando a rigidez dos pilares, de um determinado pórtico for muito diferente. Nestes casos pode-se lançar mão de um redimensionamento dos esforços na estrutura, alterando a rigidez das fundações, ou seja, pode-se propositadamente projetar um ponto de apoio com uma maior flexibilidade para que o momento resultante seja minimizado. O grande poder da ferramenta de cálculo da super-estrutura pode tornar-se mal utilizado face às hipóteses de cálculo simplistas que eventualmente são usadas para simular o comportamento das fundações. A participação do geotécnico desde o início da concepção, contribui para que uma parcela bem maior de casos fossem calculadas, processando-se a estrutura junto com a fundação, levando o sistema estrutura-fundação a um desempenho mais realista, mais seguro e mais econômico. 3. Casos de estruturas enterradas ou semi-enterradas, onde o processo executivo pode influir nos carregamentos, e consequentemente, no dimensionamento ou solução estrutural O geotécnico também tem como escopo do seu trabalho, o acompanhamento técnico sistemático durante a execução das fundações, contenções, aterros, etc. É possível que o engenheiro de fundações tenha uma visão mais pragmática quanto aos aspectos construtivos, especialmente em estruturas enterradas, os quais podem condicionar o projeto. Os esforços de empuxo de terra dependem das deformações que lhes são permitidas. Assim, o processo executivo e as fases construtivas podem condicionar as deformações e consequentemente os esforços que terão que ser suportados pela estrutura. 4. Casos onde a mistura de tipos de fundação é necessária De modo geral procura-se sempre empregar o mesmo tipo de solução de fundação para uma mesma estrutura. Na verdade, o que se procura é que as fundações de uma dada estrutura tenham um comportamento homogêneo quanto a recalques. Para que este requisito seja satisfeito, é possível que em alguns casos, seja imperioso misturar tipos de fundação diferentes numa mesma edificação. Os exemplos seguintes ilustram o argumento:
5. Casos de fundação direta onde a condição de rigidez imposta pelo cálculo estrutural pode ser equivocada As fundações diretas geralmente acarretam recalques maiores para a estrutura do que as fundações profundas em estacas. Recomenda-se neste tipo de fundações verificar os esforços adicionais na estrutura decorrente dos recalques diferenciais. Cabe ao engenheiro geotécnico verificar a possibilidade de ocorrer recalques diferenciais significativos e recomendar ao calculista estrutural considerá-los nos cálculos. A possibilidade de recalques diferenciais é decorrente da interpretação do perfil geotécnico enquanto sua magnitude depende dos parâmetros geotécnicos dos solos envolvidos. Conclusões |
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